Estava olhando o álbum das minhas primeiras férias do colegial.
Achei uma foto do meu professor de inglês.
Como todas as meninas da minha idade na época, eu quebrava olhares quando ele passava. Suspirava.
Como não? Loiro, olhos azuis, cabelos até os ombros, jeito moleque, curtia rock e usava calças rasgadas – indo de encontro a toda sociedade conservadora da época – e com um humor de dar inveja.
Mas sabe aquele homem que você diz: “ele NUNCA vai olhar pra mim!!!!” Pois é…
Nos dias de aula de inglês eu desistia do café da manhã para cuidar do cabelo e do batom. Na sala de aula, sentava na fila do meio, bem em frente da mesa dele pra conseguir vê-lo por todos os ângulos.
As aulas eram fascinantes, eu me perdia nos fios loiros e nos buraquinhos que as bochechas dele faziam quando sorria. Ai ai…
Sonhei inúmeras vezes com ele, passeando no parque, fazendo pequinique e, em segredo, sonhei beijando ele no provador da loja ERA, loja de moda feminina caríssima e famosa na época.
No nosso ultimo dia de aula, fomos a uma sorveteria comemorar a entrada do verão. Como boa estrategista, sentei na frente dele e conversamos toda hora. A mesa estava enorme e a solução era conversar com quem mais se aproximava de você. Não teve jeito.. babei. Babei mesmo, com “B” maiúsculo de Besta!
Nesse dia, lembro que ele precisou sair mais cedo porque sua noiva ligada de 5 em 5 minutos. Eu tinha uma inveja dela…
E no meio de umas 30 pessoas ele escolheu a mim para deixar o cheque para pagar a conta. Olhou no meu olho e disse: “Deixo com você. Pague, guarde e me dê o recibo amanhã”!
Isso pra mim foi tudo. Uma relação de confiança. Me senti super importante pra ele e dona do mundo. Paguei a conta com ar de “ai-meu-deus-do-céu-ele-me-escolheu.” e dormi com o recibo embaixo do travesseiro.
Guardei aquele papel como parte do meu corpo e contei as horas para entregá-lo no dia seguinte porque sabia que isso me renderia cinco minutinhos de prosa com o teacher, só nós dois.
Ai ai, se ele quisesse….
Hoje eu soube que faz um mês que ele casou com uma menina da cidade grande. Apesar de saber que ele era demais pra mim, fiquei triste. Por mais que diga que não, a gente sempre tem uma esperançazinha, mesmo que seja de uma noite apenas!
“oh, no, and my emotional stability is leaving me”..
Voltando no tempo, Carmen.